O Jardim das aflições
"no momento em que todas as elites se unem num pacto contra a consciência individual, pouco importa quem ganhe a disputa: a humanidade perderá."- Olavo de Carvalho
O Jardim das aflições, considerado o melhor livro de Olavo de carvalho, a obra consiste numa crítica cultural, onde há um giro na história das ideias no ocidente para que possa-se explicar o curioso universo mental de José Américo Motta Pessanha, tudo para que no fim percebamos que nem ele sabe que Deus fala pela sua boca, mas vamos por partes.
Capítulo 0: Ideias notáveis
Antes de fazermos a exposição geral do livro vale a pena apresentar, mesmo que de maneira enxugada, algumas ideias notáveis que ficariam ofuscadas se fossem deixadas na dependência da exposição geral.
A possibilidade de conhecer o fundo filosófico que motiva ação através de uma amostra cultural: “À luz de uma metafísica da História, não há propriamente acontecimentos menores — o grande e o pequeno estão coeridos na unidade orgânica de um sentido que tudo pervade”, o livro todo se estrutura na possibilidade de que com algum conhecimento prévio e uma amostra cultural se pode ver o fundo de ideias que inspirou o sujeito da amostra, o livro é um exemplo disso, visto que parte da palestra de José Américo para no fim fazer um panorama geral de uma interpretação da história do ocidente.
A consciência individual é soberana: “na medida em que a sociedade só pode ter acesso a verdades esquemáticas e simbólicas, ao passo que o indivíduo alcança, pela dialética socrática, a visão direta, não simbólica, da verdade universal.” o exemplo de Sócrates mostra a ambiguidade de um homem que alcança uma verdade pode ter frente sociedade. Sócrates era enquanto homem, um filósofo portador de uma verdade e portanto devia obediência a ela, entretanto, ao mesmo tempo é membro de uma sociedade submisso ao culto e as leis, frente a esse conflito escolhe ouvir a consciência individual, justamente pela sociedade só inteligir através de símbolos, enquanto o homem individual pode acessar a verdade universal através da intelecção metafísica. (falaremos mais sobre quando estudarmos a apologia de Sócrates).
A possibilidade de conhecer a realidade: “O que chamamos de senso do real funda-se na distinção do efetivo e do possível”, essa distinção se fundamenta na diferença entre aquilo que imaginamos por vontade própria e os dados impostos pela realidade, por exemplo: não posso fazer com que meus olhos vejam outra coisa a não ser aquilo que está a frente deles1 . “Existir é resistir, dizia Dilthey”, é aprendendo os limites de seu poder que o homem pode distinguir o real do imaginário.2
A contemplação filosófica3: Os homens em geral contemplam, sua contemplação pode ser de diversas naturezas, pode ser lúdica, estética, utilitária e etc. A do filósofo é de natureza muito distinta com objetivos e motivos específicos, que constituem a contemplação filosófica como uma contemplação única, completamente diferente das demais. “O filósofo contemplava as coisas para captar sua essência (eidos), patenteando (aletheia) o seu verdadeiro ser (ón); em seguida o filósofo dizia (logos) o que era essa coisa, patenteando em palavras o seu ser que estava oculto”. O que Olavo faz nesse trecho do livro é resumir no que se consiste a contemplação filosófica, a diferenciando das demais, podemos simplificar essa explicação dizendo que: Ao dar de cara com os fenômenos, o filósofo busca então a essência daquilo que observa, utilizando então a razão o filósofo pode saltar do plano da fenomenalidade para o das essências. O plano das ideias seria então superior, pois ao elevar o objeto ao seu verdadeiro ser acaba o resgatando de toda e qualquer acidentalidade, por exemplo: ao vermos dois cavalos, um branco e um marrom, sabemos que se trata do mesmo animal mesmo que se apresentem de formas materialmente distintas, pois a cor não interfere na sua essência de cavalo, é a essa essência que transcende a aparência material/fenomênica que o filósofo então dirige seus esforços.4
Leviatã e Beemote: Olavo conta como se deu a ascensão do cientificismo e do historicismo afim de mostrar que a ascensão de ambos é consequência natural de abandonar o divino, pois quando o homem perde o contato com o criador, só o resta divinizar a criação5.
Olavo demonstra essa divinização da matéria a partir da história do cientificismo e do historicismo, duas ideologias que pretender explicar — e portanto reduzir — todo o universo através de suas respectivas ciências (naturais e sociais), vemos de maneira clara esse delírio, por exemplo, no positivismo de Comte ou no utilitarismo de Tchernichevski6, sendo necessário apenas observar como ambos proclamam o fim da história através do avanço da ciência aos molde de seu pensamento7.
Capítulo 1: O itinerário a ser percorrido
Essas são algumas das ideias que aparecem durante os 5 capítulos do livro, a fim de contextualização, faremos um resumo do itinerário percorrido.
Olavo vai a palestra “O jardim das delícias” presidida por José Américo Motta Pessanha, o ciclo se comprometia com o intuito triplo de: 1) dar um esboço cronológico das principais doutrinas éticas da história, 2) lançar luz sobre a questão da falta de ética no país e 3) popularizar o debate sobre. Porém percebemos a negligência com tais premissas logo na seleção dos temas.
Quando falamos de ética na filosofia antiga logo pensamos nos dois maiores autores deste tempo, Aristóteles e Platão, mas as coisas ficam estranhas quando os dois são deixados de lado para que quem receba todos os holofotes seja Epicuro, nada contra o filósofo do jardim, mas não há como comparar os diálogos socráticos de Platão e livros como “Ética a Nicômaco” a qualquer outra obra deste tempo, os graus de relevância são incomparáveis, como pessoas tão inteligentes como os responsáveis pelo ciclo poderiam simplesmente deixar passar dois dos maiores pensadores da antiguidade sem querer? Para responder essas e mais outras inconsistências que Olavo encontra no ciclo e seus efeitos, ele não vê outra porta de saída, temos de entrevistar Epicuro.
Mas não é como se a partir daí as coisas ficassem menos complicadas, pois o materialismo de Epicuro é muito biruta. O que dizer a alguém que acredita que: A) Os Deuses são o suprassumo do bem e mesmo assim são indiferentes a nossa existência, B) Tudo o que imaginamos tem causa material e C) Tudo é composto de matéria com sua única diferença sendo sua densidade, sem ver todas as complicações que essas teses causam quando juntas?8
Esses problemas são grandes demais para passarem despercebidos aos olhos de um acadêmico renomado como Motta Pessanha, mas nossa dúvida se agrava, se não foi sem querer que ele leva Epicuro como figura máxima da ética antiga, qual seria o motivo? Bom aí teremos que entrar mais afundo em seus lóbulos para descobrir, mas antes, que tal olharmos novamente ao MASP?
Até agora notamos uma dúvida cruel, uma filosofia furada que com estudo mais profundo de sua física leva ao niilismo9 , como isto passara despercebido bem debaixo dos narizes dos catedráticos uspianos? Parece muito mais razoável crer que não passou tão despercebido assim, mas qual seria a intenção por trás de apresentar uma história da ética tão estranha?10 E pior, apresentar como se fosse a tradição legítima de ensino da ética ao publico leigo, simples, a intenção de falsificar a tradição do ensino da ética é criar uma tradição nova, que quando incorporada no imaginário popular pudesse alterar o corpo de crenças populares, para que eles fariam isso? Retomemos nossa investigações levando de lição que se a verdade aí foi distorcida, não foi sem querer.
“Pessanha declarou-se, a certa altura da palestra, empenhado na reconstituição de algo como uma ‘tradição materialista’”11
Creio que não precisamos dicorrer muito para que as nossa perguntas sejam satisfeitas, se Pessanha se esforça para criar um novo passado é para criar um novo futuro, não precisamos ir longe para entender que futuro é esse se lembrarmos que Zé Américo era marxista.
Como bom marxista que era, Pessanha buscava iniciar uma mudança cultural para promover seu ideal materialista. Olavo atinge o ponto alto do livro ao analisar o processo de consequência da morte de Deus, que é a volta dos monstros Leviatã e Beemote que unidos formam os poderes de César, ou em outras palavras, ele analisa que a morte do poder espiritual resulta na ascensão do poder temporal como poder supremo.
Aplicando um pouco de técnica filosófica12 na tese, temos que nos perguntar a quê na realidade essa ideia se refere e é aí que entramos na principal tese do livro, que vê a profunda influência na ideia de império na história do ocidente a partir das suas sucessivas tentativas de reestruturação desde a queda do império romano.
As tentativas foram 4:
O império de Carlos Magno
O Sacro império Romano Germânico
Os modernos impérios nacionais/coloniais
O império leigo
Olavo da uma breve história da ideia de Império na Europa.
Em resumo, a ideia de império vem de Roma, na sua segunda aparição que dura entre os anos 800 e 1500 acaba se defrontando a um problemão, como reerguer o império romano sem religião Romana? Ou dizendo de outra forma, em Roma tanto o poder espiritual quanto o temporal estavam na mão de César, no império cristão, o imperador teria de se submeter a igreja, o que gerou muitos atritos e inviabilizou sua criação. Mas a morte do império cristão sonhado pela igreja não significava a morte da ideia de império, que acaba transmutando-se nos impérios nacionais que resolvem o conflito de castas através da criação de cristianismos nacionais, a transmutação à quarta forma de império consiste em um aumento da aposta anterior, ao invés de um Cristo e uma igreja nacional agora o império iria romper com toda cristandade, levando o próprio estado a preencher o vácuo deixado pelo afastamento de Deus, assumindo para si então o poder espiritual e temporal, é quando substitui as igrejas no papel no papel de guiar moralmente o povo que vemos o sinal de Nietsche: “ a confusão das línguas do bem e do mal, eis o sinal que vos dou; tal é o sinal do Estado. na verdade, é um sintoma da vontade de morrer”13.
Não precisamos ir muito longe para identificar essa tal vontade de morrer, basta que olhemos o mundo moderno, nunca tivemos tanta liberdades nominais ao mesmo tempo que estivemos tão presos, nunca tivemos tanto conforto ao mesmo tempo que nunca estivemos tão deprimidos, o mundo moderno promete o jardim das delícias, mas entrega o jardim das aflições.
No livro Olavo faz uma analise de diversos aspectos de nossa cultura, ligando a sua decadência ao ganho de poderes do estado, um exemplo é necessidade de sempre haver uma luta por novos direitos, pois como mostra o professor “Protestos e reivindicações incessantes são necessários para manter a sociedade num estado de divisão e de mudança psicológica acelerada, que não possa ser administrado senão por uma onipresente”.
Descobrimos então que sem perceber, José Américo no fim apenas ajudou a pavimentar a volta de César.
Capítulo 2: Um livro dividido
Feita nossa exposição geral podemos facilmente dividir O Jardim das aflições em três partes:
A construção de Zé Américo: Os três primeiros capítulos do livro (Pessanha, Epicuro e Marx) são simples de conectar, pois tratam basicamente de entender as motivações de José Américo, começando na estranha escolha de Epicuro que se torna mais peculiar na medida em que se analisa a sua filosofia, mas que recebe sua resposta quando se compreende o interesse político por trás, que é o de tentar estabelecer um novo corpo de crenças através de uma mudança na intelectualidade brasileira, mudança essa que consiste na criação da tradição materialista, que obedecendo a 11 tese sobre Feuerbach uniria theoria e praxis.
A reforma: No quarto capítulo (os braços da cruz) Olavo traça o caminho da volta de Leviatã e Beemote que começa quando a intelectualidade vira as costas para Deus.
O império: O pulo do gato aparece quando percebemos que as sociedades antigas se baseavam numa visão igualmente fechada do cosmos para justificar o poder de César. Quando o universo se fecha ao infinito a autoridade terrestre terá de se auto divinizar para manter a ordem da sociedade, acabando com a soberania da consciência individual para justificar os seus poderes.
3.1. Gostaria de citar a explicação de Ronald Robson sobre o tema: “O fechamento do cosmos numa imagem estática e mecânica corresponderia ao fechamento da inteligência numa psique feita só de muros culturais sem nenhuma janela espiritual, e que só poderia se expressar sobre sob a forma de neuroses cada vez mais complexas, cada uma a assinalar uma etapa mais radical de rompimento entre o ser humano e aquilo que constitui o fundamento de seu agir. Isso a ponto de chegarmos à concepção de uma sociedade totalmente civil, na qual o próprio Estado, feito longa sombra do antigo poder romano, te torna o árbitro das questões referentes ao fundamento, ao Ser”14.
Capítulo 3: onde queremos chegar?
“Não, senhores das letras: não vos exponho o corpo macilento e desgrenhado dessa vítima para dar repasto à vossa ironia, mas para que nela vos enxergueis a vós mesmos e possais diante dela confessar, ao menos cada qual a si próprio: — Eu não fui melhor.” -Olavo de Carvalho.
Talvez alguns não consigam ver no livro nada mais que uma crítica a José Américo Motta Pessanha, o que é uma visão extremamente reduzida do problema, se Olavo tece todo o livro a fim de mostrar os deuses que Zé Américo acaba prestando culto sem perceber, é para que possamos ver nossa própria miséria, e assim ao ver seus erros lembremos de todas as vezes que agimos de maneira igual.
O que incomodou Olavo foi ver que as pessoas muitas vezes não sabem qual Deus cultuam com suas ações, e por isso acabam novamente crucificando a verdade.
O que nos resta então é localizar as misérias de nossa própria alma, para que depois do exame possamos enterrar mortos os falsos deuses que sem querer prestamos culto, e por fim podermos realmente contemplar a verdade.
”Conhece-te a ti mesmo e conhecerá ao universo e aos Deuses”
Capítulo 4: A dificuldade de se falar do Jardim
O Jardim das aflições é definitivamente um clássico, pois como define Ítalo Calvino15 “Um clássico é um livro que nunca esgotou tudo o que tem a dizer aos seus leitores”, tudo o que escrevemos aqui passa longe de esgotar o conteúdo do livro, por isso peço a quem chegou até aqui que realize a leitura do Jardim das aflições, pois o leitor atento com certeza achará algo que ninguém achou antes, como ocorrem com os antigos clássico até hoje.
De qualquer forma, bons estudos a todos :)
Você (leitor) por favor faça a seguinte experiência, olhe para sua mão e faça um esforço monstruoso para ver nela a cidade de Ivaiporã-PR, ao fazer isso você irá perceber que ao fazer isso sua mão continua a mesma mão, afinal de contas como diz o professor Olavo “Meu olhar está limitado pelo que o mundo me oferece, ao passo que minha imaginação não conhece outros limites senão o seu próprio.”, é aí onde mora a diferença do real, ele existe objetivamente, e portanto não se curva imediatamente a minha vontade com a plasticidade do imaginário.
Permitam-me fazer um complemento, a comparação entre o efetivo e do possível, do real e do imaginário, só pode ocorrer se o homem se lembrar claramente de ter pensado ou imaginado algo desde dentro (por vontade própria) e assumindo a total responsabilidade da autoria de seus atos no mundo material, ”A verdade é aceita assim como valor moral antes mesmo de se firmar como critério cognitivo” — Olavo de carvalho.
Dando um pouco de contexto, Olavo argumenta que na 11° tese sobre Feuerbach, Marx propõe uma mudança básica na atividade do filósofo, diz a tese “Até agora os filósofos se limitaram a interpretar o mundo. Cabe-lhes agora alterá-lo”, é neste contexto que Olavo se põe a explicar o que é a atividade filosófica, para por fim podermos entender qual o objetivo de Marx a propor que os filósofos larguem essa atividade e se dediquem a uma atividade de transformação.
Vale lembrar que a definição da contemplação filosófica se distingue da técnica filosófica e da definição de filosofia mesma, aprofundamentaremos no tema em estudos posteriores.
Podemos também nos apoiar na aula de conclusão do curso de Eric Voegelin, onde Olavo nos explica que, ao dar de costas a fé, o homem passa por uma experiência de total desordem e caos, na esperança de atenuar essa desordem acaba se apoiando em algum projeto que pretenda estabelecer uma ordem total no universo.
O psicólogo Felipe Luis, idealizador do canal ato e potência, tem um vídeo onde trata sobre Dostoiévski e sua psicologia contraria a esse utilitarismo, segue-se o link:
Como bem disse Carpeaux “O século XIX teve o privilégio de esquecer-se do fato e coube a nós a penosa tarefa de redescobri-la” (Carpeaux em “Caminhos para Roma”)
A título de conhecimento aqui estão algumas das complicações: 1) a premissa de que tudo o que pensamos tem causa material nos leva logo ao problema dos objetos imaginários, para Epicuro a nossa capacidade de imaginar os deuses é razão de prova de sua existência, já que aquilo que não existe, não afetaria os sentidos e não poderia ser imaginado. Entretanto eu posso muito bem imaginar qualquer personagem fictício, seguindo essa mesma lógica teríamos de admitir sua existência material num âmbito material mais rarefeito (pois todo objeto pensado existe em forma material ais rarefeita), não só isso, mas também teríamos de admitir que eles de alguma forma afetam nossos sentidos, pois só assim poderiam ser imaginados. 2) se os deuses nos fossem indiferentes nos seriam também inúteis, mas isso já se contradiz com a ideia de serem o exemplo máximo de bem, pois são o que norteiam a ética de Epicuro, assim sendo não podem ser inúteis e não seriam, portanto, indiferentes/inócuos (peço perdão caso a ideia tenha ficado muito enxugada, eu realmente só quis passar o mínimo, caso necessite ou queira maior contextualização fica a mesma recomendação de sempre, leia o Jardim das aflições).
Olavo fala sobre no capítulo em que comenta a crítica de Epicuro a Demócrito, a qual não abordaremos aqui (fica o novamente o convite a leitura do livro)
Talvez o leitor ache pobre acusar o ciclo de deturpar a história da ética por meramente deixar Aristóteles e Platão de lado, a uma argumentação muito mais densa, apontando por exemplo, a estranha escolha de pensadores que integrariam a coleção Os pensadores da abril, pontuando a exclusão de grandes nome como o de Misses para exaltar nomes sem nenhuma relevância como Kalecki, a conclusão do exame dessa babaquice cultural foi a conclusão de que José Américo queria que o leitor que estudasse majoritariamente pela coleção tivesse a impressão de que a história das ideias é composta majoritariamente por materialistas, a suspeita de Olavo se mostra verdadeira quando observamos os meios de comunicação oficiais de José Américo dizerem que ele tinha o intuito de espalhar o marxismo no Brasil.
página 148, de “O Jardim das aflições.
Definida como “A capacidade de transformar experiência humana real em ideias e vice-versa”.
Citação de Assim falou Zaratustra, também presente no próprio O Jardim das aflições.
R.R. “No jardim das aflições”. In O mínimo sobre Olavo de Carvalho. Campinas, SP: O mínimo, 2023, p. 42.
Fonte: Por que ler os clássicos? por Ítalo Calvino.




