Páginas Olavianas
"Moderação na defesa da verdade é serviço prestado à mentira" -Olavo de Carvalho
Caro leitor, desconheço o tamanho da influência que os detratores do Olavo exerceram em sua mente; creio, porém, que, pelo esforço assombroso empreendido pela mídia para destruí-lo, sua visão sobre ele talvez não seja das mais positivas.
Já no quarto aniversário após sua morte, peço vos um pouco de paciência para que o menor de seus alunos possa lhe apresentar o que vê de brilhante em seu professor.
Tome este texto, portanto, como testemunho direto do poder de sua obra — ou, se preferir, como homenagem de aniversário.
De qualquer forma, boa leitura :)
O nascimento da filosofia
Ao longo da vida já ouvi muitas vezes a pergunta “pra que serve a filosofia?”, é extremamente natural que o leigo não entenda o sentido do estudo filosófico por conta das extremas vulgarizações que a matéria sofre no país. Prova disso é o constante apelo a jargões vazios para defesa da filosofia.
Diz-se por aí que a filosofia é a busca da verdade, a arte de questionar e muitas outras baboseiras que em teoria justificam seu estudo. É claro que esses jargões são incapazes de dar sentido ao estudo da matéria pois são alheios ao seu espírito. A verdade é que dão se essas construções vazias para encobrir a ausência de experiência real que as pessoas que o usam tem com a filosofia.
Frente a isso surge uma série de problemas, dentre eles, como iniciar alguém nos estudos filosóficos?
Ⅰ. O necrológio
Para os problemas filosóficos se apresentarem a alguém, é necessário que haja um “eu” para eles se apresentarem.
Para resolver o problema, Olavo passa o exercício do necrológio na primeira aula do seu seminário de filosofia. Ele consiste em imaginar que você morreu e um amigo está escrevendo sobre sua vida para um terceiro, levando em consideração que você viveu sua vida ideal: como será a vida que este amigo narrará?
O objetivo é bem simples: quando se tem em mente aonde se quer chegar a vida se organiza como um drama entre o “eu atual” e o “eu ideal”.
A filosofia ganha parte no drama quando se toma consciência de como a realidade é importante para planejar a vida ideal; a morte, por exemplo, é um desses fatores decisivos que sempre levamos em consideração, pois é impossível escapar dela.
Frente a este destino surgem dúvidas, como por exemplo: há vida após a morte? É fato que se há vida após a morte, deve-se viver de uma forma; agora, se não há, deve-se viver de outra.
É quando estamos vendo nossa própria vida como algo acabado que tomamos consciência de como é importante conhecer a realidade, para conseguir viver a melhor vida possível.
Assim, o conhecimento filosófico deixa de ser algo separado da realidade vivida para se tornar um elemento constitutivo do drama pessoal do filósofo.
Me siga e apoie meus estudos :)
O legado de Olavo
Já é o quarto aniversário de Olavo desde sua morte, o que dizer dele?
Se pelos frutos se conhece a árvore, é aí que devemos ter orgulho dele. Olavo criou uma nova geração de intelectuais que hoje são referência no cenário intelectual brasileiro: nomes como Débora Luciano, Bruna Torlay, Diogo Fontana, Rafael Falcón, Paulo Briguet, Ronald Robson, Silvio Grimaldo, Elvis Amsterdã e Michel Amorim entre muitos outros que marcam o debate nacional.
É também fruto de sua obra um vertiginoso crescimento da bibliografia estrangeira em língua portuguesa, com a popularização de autores como José Ortega y Gasset, A. D. Sertillanges, Émile Boutroux, Constantin Noica, Joseph de Maréchal, entre outros.
Além de trazer mais obras para o português, Olavo teve um papel crucial na salvação de grandes nome da língua portuguesa que quase caíram no esquecimento total, nomes como Mário Ferreira dos Santos, Otto Maria Carpeaux e Bruno Tolentino.
Olavo reviveu o conceito de educação clássica, reacendeu o interesse pelo latim e mostrou que a vida intelectual não é coisa reservada aos catedráticos da universidade, mas que a verdade está disponível a todos que quiserem a ela se sujeitar.
Opto por manter a lista acima em tamanho tímido diante da grandeza do impacto de Olavo na cultura, por um motivo simples: não é aí que reside sua grandeza.
A grandeza do filósofo não reside em seus feitos exteriores, mas no simples fato de manter-se íntegro frente às adversidades da vida. Por isso, mesmo sendo morto, Sócrates venceu o regime ateniense.
É pelo fato de preferir acumular inimigos a trair a verdade que norteava sua vida que podemos dizer que ele venceu. E quem ganha dando ouvido a ele agora somos nós1.
Fica para nós, então, o exemplo de como uma alma com um objetivo firme pode transformar o mundo, pois creio que esta seja a grande lição de Olavo para seus alunos.
Em memória de Olavo de Carvalho.
“Tudo em volta induz à loucura, ao infantilismo, à exasperação imaginativa. Contra isso o estudo não basta. Tomem consciência da infecção moral e lutem, lutem, lutem pelo seu equilíbrio, pela sua maturidade, pela sua lucidez. Tenham a normalidade, a sanidade, a centralidade da psique como um ideal. Prometam a vocês mesmos ser personalidades fortes, bem estruturadas, serenas no meio da tempestade, prontas a vencer todos os obstáculos com a ajuda de Deus e de mais ninguém. Prometam SER e não apenas pedir, obter, sentir, desfrutar.” -Olavo de Carvalho
“Quando a obra de um único autor é mais rica e poderosa que a cultura inteira do seu país, das duas uma: ou o país consente em aprender com ele ou recusa o presente dos céus e inflige a si próprio o merecido castigo pelo pecado da soberba, condenando-se ao definhamento intelectual e a todo o cortejo de misérias morais que necessariamente o acompanham.” -Olavo de Carvalho (Em “Mário Ferreira dos Santos e o nosso futuro”).

